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O ensino obrigatório de música nas escolas

Postado em 04/03/2012
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Sou a favor do ensino obrigatório de música nas escolas. Na verdade, afirmo que estou de acordo com a Lei 11.769, DE 18 DE AGOSTO DE 2008, onde se determina que “música deverá ser conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do componente curricular”, etc e tal. O então presidente Lula vetou apenas o parágrafo que exigia formação específica do profissional em questão, isso por entender a necessidade de uma flexibilização quanto à formação, o que é questionável frente aos tantos diplomados em música que precisam de trabalho e reconhecimento. Mas o fato é que música é parte do currículo obrigatório. Eu sou a favor!

 

O ano de 2012 é o ano limite para que as escolas iniciem tal prática, mas creio que isso não será assim tão fácil, afinal os profissionais em questão, mesmo que não tenham formação específica, precisam ser bem localizados em termos de salário e condições de trabalho. Será que de 2008 pra cá as escolas públicas do Brasil foram preparadas para isso?

 

Em verdade, minha opinião sobre o assunto, entendendo-o no contexto mais amplo do ensino de artes, vai além e propõe um conjunto onde a música é parte essencial. Creio que seria mais interessante às escolas começarem com Música, Teatro, Dança e Artes Plásticas, o que seria já um conjunto denso. E é claro que há as questões específicas de escolha de modelos de ensino, bases metodológicas, equipamentos e locais, infra-estrutura e objetivos. Das séries iniciais aos últimos dias do ensino médio cada aprendiz passa por mudanças profundas e isso é delicado.

 

Em termos de formação, ressalto a importância para as emoções e aspectos da criatividade que as artes propiciam. Isso é positivo. A idéia não é necessariamente descobrir talentos para o mercado, mas trabalhar nos aprendizes o despertar e a integração de seus mundos interiores, o que é dizer aquilo que em cada um a razão não alcança.

 

No tocante à tal lei que obriga o ensino de música, o que nos importa saber de imediato é que não se trata de “pode ou não ser”, visto que é lei. Mas se as escolas e os setores dirigentes da educação em cada município tiverem ousadia, outras artes como as que citei entrarão no cotidiano dos estudantes.

 

Mesmo que não seja exigida a formação específica, penso que as escolas devem contatar os profissionais músicos diplomados em nível superior, posto que são os tipos próprios para a situação. Precisamos valorizá-los já! Mas imagino os “arranjos” que ocorrerão em vista da matéria não ser considerada dentro do “pragmatismo” da atualidade, ou seja, apesar de obrigatória isso não significa que passe a ser vista com melhores olhos. Contudo, havendo o ensino, mesmo que precário, já é um passo adiante. E música contagia, não é mesmo?

 

Lembro de uma boa reportagem que vi há bastante tempo sobre a então Universidade Livre de Música Tom Jobim que, pelo que pesquiso na internet, tornou-se a Escola de Música do Estado de São Paulo Tom Jobim (EMESP), funcionando com cursos diferenciados dos ministrados nas faculdades de música, tanto no formato quanto em relação aos profissionais. À época da reportagem, lembro de turmas terem aulas com mestres advindos do mundo acadêmico e com músicos feitos à própria mão, como Arrigo Barnabé e o roqueiro Lobão, cada qual na medida certa de suas experiências.

 

Cito esse exemplo de empreendimento apenas para dizer que se o assunto é música, as possibilidades são muitas. As escolas de Russas sintam-se, pois, abertas à criatividade, ainda mais que somos um município nordestino e a nossa região é riquíssima em música.

 

Esses meus palpites são de um não-músico horrorizado ao extremo com o que as rádios tocam desde o início dos anos 1990. Quem sabe se, com o ensino de música nas escolas brasileiras, surgirão no futuro produções mais interessantes e convivências mais criativas? Eu tenho esperanças.

 

Que os músicos de Russas estejam envolvidos nisso e contribuam com o seu talento. Que as nossas autoridades saibam implementar essa novidade, mas  sobretudo que os estudantes busquem criar uma ambiência mais que favorável.

 

Para concluir, disponibilizo um link onde há, ao final, perguntas e respostas sobre a questão: "Música: entenda porque a disciplina se tornou obrigatória na escola".

WEBSTON MOURA

WEBSTON MOURA

Webston Moura é um livre-pensador com os pés na democracia e os olhos no cotidiano.Poeta e idealista, expõe seus pensamentos nos blogs O Araibu e Arcanos Grávidos.
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