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Praça Monsenhor João Luiz: A PRACINHA

Postado em 09/03/2012
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Todos os espaços públicos têm suas funções. A da Praça Monsenhor João Luiz, especificamente, cumpriu várias funções, várias transformações no decorrer de sua construção até os dias de hoje. A Praça, que antes era de chão batido, sem marcações e cheia de grandes árvores irregulares para o esteio de cavalos. Deixou de ser repouso dos tropeiros e moradores para dar lugar a uma área planejada, delimitada em espaço e organizada com árvores de menor porte e ordenadas no quadrilátero enfrente a Matriz de N. Senhora do Rosário. Este serviço foi feito por Dom Lino Deodato em 1857[1] quando estava à frente da Paróquia de Russas.

 

A Praça então deixou de ser hospedagem e passou a ser um espaço público que servia de passeio, reuniões e principalmente, das missas mais importantes do ano, servia com espaço para as missas campais, tendo em vista o grande número de fiéis católicos que vinham de todos os cantos do Vale do Jaguaribe. 

 

No ano de 1933 é arquitetada com tijolo e espaços para as antigas árvores a Praça e dada o nome de um dos sacerdotes que contribuiu muito para a educação russana, Pe. Monsenhor João Luiz, construída com medidas quase atuais, havendo uma pequena divisória entre esta e a igreja Matriz, onde havia uma travessa de mão dupla. Este foi um dos legados que temos do então prefeito Ivo Xavier, que posteriormente, também ajudou na construção do Coreto municipal que, além de parlatório para discursos entre os cidadãos e as autoridades, servia como ponto de encontro da sociedade para ouvir as Orquestras do município tocarem. A Praça passou a ser um local de convergência, de encontro, de sociabilização dos moradores de Russas.

 

No ano de 1940, depois da Constituição do Estado Novo de Vargas, o Interventor Manuel Matoso Filho, junto com as autoridades Federais e Estaduais, derrubaram o Coreto de música e da palavra, levantando em seu lugar um símbolo dos novos tempos do Brasil: a Coluna da Hora. Símbolo, porque a praça deixa de ser um lugar de encontro entre a sociedade e seus representantes, deixou de ser um lugar de diversão para os músicos e suas platéias e passou a “alertar” a todos que por lá estivessem que o “tempo passa” ou “tempo é dinheiro”, a articulação do capital e da industrialização no país e a rigorosa produção deveria seguir ao contar do relógio. Afinal, “tempo é dinheiro”.

 

Atualmente, a Praça esta destinada a população de um modo geral, um lugar de passeio e de encontros, de interação da sociedade. A Praça Monsenhor João Luiz ou a Pracinha, carinhosamente chamada pelo povo, é um local que passou por várias transformações tanto arquitetônicas, como na sua função social. O fato é que a Praça, toda Praça, nasce destinada a unir ou reunir o povo de sua comunidade, isso dá até em casamentos. A praça é do povo, sempre foi, mesmo quando o regime do país ou local foi ditatorial, a população sempre acha um jeito de se apropriar da Praça para tirar suas impressões da vida ou simplesmente conversar com os amigos, fazer novos amigos e vivenciar uma realidade em comum.

 

[1] ROCHA, Limério Moreira da. “Russas: Sua Origem, Sua Gente, Sua História, Ed. Impresso do Brasil, 1976; pág. 151.

HIDER ALBUQUERQUE

HIDER ALBUQUERQUE

Professor especialista em ensino de História; Historiador Pesquisador; Escritor; Vice presidente da Academia Russana de Cultura e Arte (ARCA); Compositor e ligado ao movimento Cultural de Russas; Fez parte do Grupo Teatral Arco-Iris; Um dos fundadores da OFICARTE Teatro e Cia; Blogueiro.
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