Último Recado
COLUNISTAS » WEBSTON MOURA

Os seres humanos são mesmo os donos do planeta terra?

Postado em 17/03/2012
PUBLICIDADE

Há quem diga que o primeiro ecólogo do Ocidente tenha sido o místico cristão Francisco de Assis, tido pelos católicos e por outros cristãos como o reformador do Cristianismo (ou simplesmente do catolicismo, em particular). O físico e ecólogo austríaco Fritjof Capra, famoso escritor e conferencista da abordagem holística, destaca a figura de Francisco de Assis em seu famoso  O Ponto de Mutação (Cultrix), livro que inspirou milhões de pessoas mundo afora.

 

O teólogo e escritor brasileiro Leonardo Boff tem sobre o referido santo um livro muito interessante: São Francisco de Assis: Ternura e Vigor (Editora Vozes). Nele, relata a essência do franciscanismo, a saber: a (re)integração do ser humano, desde seus pólos antagônicos interiores à relação de gênero e do ser com o meio ambiente, postulando uma comunhão total.

 

Segundo esses e outros estudiosos, Francisco de Assis representa uma ética que precisamos urgentemente recuperar, mas não exatamente só acendendo velas ou debulhando infinitos terços ao som de mais um cd de um padre com ares de pop star. Muito menos perseguindo homossexuais, madrugada adentro, o que contraria o Cristianismo do início ao fim.

 

Francisco de Assis nos convida à descoberta de nós mesmos não como seres sobre a vida e donos do mundo (donos dos nossos conviventes), mas uns com os outros, seres entre seres, o que é dizer seres na humildade de quem troca com o meio, sem intenções de posses absurdas e escravizantes.

 

A propor uma ecologia profunda, Francisco percebe o ser humano naturalmente integrado ao todo, porém necessitado de recuperar a consciência dessa realidade. Daí ser visto como o primeiro ecólogo, pois que não se dirigiu simplesmente ao humano “em si”, mas, sim, enxergando esse humano no contexto total de suas relações.

 

Lembro-me de todas essas coisas porque estamos próximos da Semana Santa, um momento (cristão) onde parte dos (ditos) crentes prefere beber cachaça até não agüentar mais. Ou, então, pouca reflexão se dá sobre o modo como um verdadeiro seguidor do Cristianismo deva se portar diante de determinados assuntos, em especial o que identificamos como “o outro” (da questão de gênero à questão do meio ambiente, dentre várias).

 

Lembro disso também porque estou diante de um interessante relato sobre uma participação do escritor sul-africano J.M. Coetzee (Nobel de Literatura 2003) num evento da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos da América. Podendo escolher qualquer assunto, Coetzee optou por falar sobre a vida dos animais e a nossa participação nela (clique aqui e leia você mesmo).

 

E, para quem ainda não ouviu o barulho da ficha caindo, os animais incluem-se nesse “o outro”, que citei anteriormente. Sencientes, são capazes de muito mais sensações e sentimentos que o que costumeiramente lhes creditamos. Possuem um sistema nervoso mais interessante que o de um pé de maracujá e têm também um tipo de consciência (ser e estar no mundo) diferente da humana, porém não menos capaz de elaborar o arcabouço de um ser vivo semelhante a nós mesmo em muitas coisas.

 

Para que você aí tenha um momento de reflexão mais que crucial sobre essas questões, disponibilizo aqui o dito melhor documentário sobre a dependência que os seres humanos têm dos animais. Por favor, assista do início ao fim e depois confira se você, em algum instante, faz ou não parte dessa questão. Como um cristão deve enfrentar isso?

WEBSTON MOURA

WEBSTON MOURA

Webston Moura é um livre-pensador com os pés na democracia e os olhos no cotidiano.Poeta e idealista, expõe seus pensamentos nos blogs O Araibu e Arcanos Grávidos.
Comentários

© 2002 - 2017 RussasNET.com.br

Russas na Internet - Todos os Direitos Reservados

• Coberturas particulares, anunciar no site
• Locação de projetor e telão, animações e vídeos
• Sistemas, websites, marketing digital

curta nossa fan page

siga-nos no twitter

recomende ao google