Último Recado
COLUNISTAS » WEBSTON MOURA

O golpe militar de 1964 não é um assunto trivial

Postado em 02/04/2012
PUBLICIDADE

Já se disse que a democracia é o pior dos regimes, depois de todos os outros. Ou seja, é falha, mas supera o que antes fora testado, necessitando ser radicalizada. E por vinte e um anos (1964-1985) o Brasil esteve mergulhado num regime conduzido por generais, sem eleições para presidente, sob os pés do imperialismo.

 

Os militares, apoiados pela classe média beata e preconceituosa, derrubaram um presidente que queria realizar reformas, João Goulart, e implantaram a ordem com base no terror. Prisões arbitrárias, perseguições, tortura física e psicológica, fechamento de jornais, controle da TV, expulsão de brasileiros (exílio) e outras tantas ações de mesmo porte foram praticadas.

 

A um jovem nascido depois disso é difícil mensurar o que era viver nesse período, pois o tempo apaga as marcas e as convivências, distorce fatos, diminuindo a importância dos acontecimentos. Daí vermos tanta opinião boba sobre esse e outros assuntos. Mas é preciso lembrar, fazer a memória, para que aquilo não se repita, ao menos não tão facilmente.

 

Há os saudosistas desse tempo, pessoas que odeiam dividir a cena com os diferentes. Dentre os saudosistas, um grupo de militares que tentou comemorar o golpe no Rio de Janeiro (clique aqui).

 

Minha adolescência coincidiu com o fim da ditadura e eu pude participar das conversas, ouvir pessoas que tinham mais conhecimento, ler livros interessantes sobres histórias do período. Assim, para ser didático nesse humilde relato, indicarei alguns livros onde o leitor curioso pode encontrar informações muito interessantes: "Os Carbonários", "Batismo de Sangue"; "Diário de Fernando"; "Guerra de Guerrilhas no Brasil"; "Lamarca: o capitão da guerrilha".

 

Para muitos brasileiros, essas referências não fazem sentido, pois essas pessoas não sabem dimensionar os acontecimentos. Para outros, em virtude de posicionamentos anti-esquerdistas, faz sentido outra ditadura (porque nem imaginam que serão vítimas dela). Acima de tudo deve imperar o que nos une, mesmo estando nós em ideologias diferentes: liberdade. Se isso importa a todos, então fazer a memória correta do golpe de 1964 faz sentido, ou seja, não podemos comemorar aquilo que nos tira a liberdade e até a vida.

 

A democracia é falha, mas nela podemos reclamar abertamente, inclusive podemos participar do poder com nossas ideais e propostas, sem medo de que agentes do governo invadam a nossa casa de madrugada e violentem a nós e aos nossos parentes.

WEBSTON MOURA

WEBSTON MOURA

Webston Moura é um livre-pensador com os pés na democracia e os olhos no cotidiano.Poeta e idealista, expõe seus pensamentos nos blogs O Araibu e Arcanos Grávidos.
Comentários

© 2002 - 2017 RussasNET.com.br

Russas na Internet - Todos os Direitos Reservados

• Coberturas particulares, anunciar no site
• Locação de projetor e telão, animações e vídeos
• Sistemas, websites, marketing digital

curta nossa fan page

siga-nos no twitter

recomende ao google