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Um Conto: Plantando para o Futuro

Postado em 11/04/2012
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A Educação é algo que muda a sociedade para melhor. Disso todos sabemos e, aliás, tem sido bandeira de campanhas eleitorais desde que eu me entendo por gente. Somente a partir dos últimos anos temos dado passos concretos para uma Educação de qualidade e que valorize seus profissionais, embora muito ainda tenha que ser feito. A maioria dos governantes não dão o devido valor a Educação porque lhes convém (para os canalhas) um povo ignorante. A Educação também não dá resultado imediato, é necessário gerações para observar suas mudanças. E como não aparece de imediato, assim como o saneamento público, que fica enterrado, o senso comum político ultrapassado julga irrelevante investimentos dessa natureza. Mal sabem que o povo (nós) estamos atentos e não somos mais tão bisonhos. Quando se fala nesta questão da Educação e sua “colheita” através das gerações logo me vem à cabeça um conto de origem popular árabe, que vem bem de encontro a essa ideia de pensar no futuro, planejar:

 

Um velho e experiente mercador chegava a uma das cidades comerciais dos vários entroncamentos do deserto. Conhecia todos os caminhos e indicações do céu, as trilhas e os rumos do vento, era bastante conhecido por todos, e logo fez suas vendas, sobrando-lhe tempo para comer e beber a vontade. Assim que o dia raiou, o velho mercador saiu do mercado da cidade em rumo à cidade mais próxima, mas como ainda estava alterado por conta do vinho, não notou que havia tomado o caminho errado. Muito confiante em sua experiência prosseguiu até não conseguir localizar pontos de referência. Estava perdido, o deserto agora era seu dono.

 

Cavalgou com suas mercadorias pelos rumos que lhe pareciam prováveis, mas nem um deles era o correto e cada vez mais o velho mercador entrava no deserto sem direção ou orientação. Depois de um dia e meio, já exausto e sem seu estoque de água e alimento, o velho já se dava por vencido, quando avistou o que lhe pareceu uma miragem. Eram duas grandes árvores e logo abaixo outras espécies de plantas no centro de um lago de águas azuladas pelo céu. O velho mudou o rumo em direção ao que parecia o paraíso, queria morrer pelo menos tentando.

 

Ao chegar e constatar que não se tratava de miragem, encontrou-se com um jovem que se deliciava com um dos frutos enormes das grandes arvores. Ao avistar o velho quase morto foi a sua busca e lhe ajudou a descer e a desapeiar os animais.

 

- Senhor... descanse, mate sua sede e sua fome – Disse o jovem.

 

O velho agradeceu a ajuda do jovem e bebeu água, depois se empapuçou com os deliciosos frutos das grande arvores. À noite já se aproximava, fizeram uma fogueira e conversaram um pouco antes da dormida. No dia seguinte, quando o jovem acordou, o velho mercador estava guardando algumas sementes dos frutos que haviam lhe salvado a vida. O jovem logo começou a rir e disse:

 

- Com todos respeito, mas o senhor com essa idade toda não sabe que essa árvore só começa a dar seus frutos com mais de cem anos de idade? Por que plantar uma árvore da qual você, talvez nem seus filhos possam saborear essa delícia?!

 

E o velho respondeu:

 

- Porque se o homem que plantou essas árvores há mais de cem anos pensasse como você, nós dois não estaríamos vivos hoje.

 

(Conto popular Árabe.)

HIDER ALBUQUERQUE

HIDER ALBUQUERQUE

Professor especialista em ensino de História; Historiador Pesquisador; Escritor; Vice presidente da Academia Russana de Cultura e Arte (ARCA); Compositor e ligado ao movimento Cultural de Russas; Fez parte do Grupo Teatral Arco-Iris; Um dos fundadores da OFICARTE Teatro e Cia; Blogueiro.
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