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Controle Social: um assunto importante

Postado em 28/04/2012
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Nós, os mais velhos, se voltarmos no tempo uns trinta anos (eu era um menino, mas lembro), constataremos uma enorme diferença sobre a participação das pessoas nos assuntos políticos, públicos, questões de governo. Há trinta anos o silêncio e a desinformação eram maiores. Certamente, de lá pra cá, melhoramos, mas hoje há uma anarquia por parte de muitas pessoas, um niilismo transformado em atitude política supostamente propositiva. É o exagero de uma cidadania mal vivida e de uma compreensão inadequada de uma conquista: a liberdade de poder se manifestar.

 

Excetuando-se esse exagero e as reclamações lamuriosas e não muito racionais, o povo hoje participa mais, opina mais, está, mesmo que só virtualmente, mobilizado diante da problemática da política, das administrações e assuntos correlatos. Isso não deixa de ser uma forma de controle social, mas precisa subir de nível, tornar-se mais sábio e mais racional, pois lutar é saber lutar e não simplesmente digladiar-se contra os obstáculos. O que nos oprime tem a sua lógica e nós precisamos conhecer o funcionamento disso, para a obtenção de melhores resultados nas nossas conquistas como povo. Não se confunda, por exemplo, participação política e controle social com o péssimo hábito de desancar pessoas (públicas ou não) na internet. Criticar faz parte, mas ridicularizar outrem é coisa de quem não compreendeu a liberdade conquistada.

 

Hoje, muita gente se ressente (com razão) das derrotas que a sociedade sofre diante das ações de prefeitos e afins, sem entender que, pelo simples fatos de saberem dos mal feitos, isso não significa que eles acabarão. Até porque, como muitos supõem, o Ministério Público, que viria em nossa defesa em certas situações, é algo dentro da correlação de forças políticas, algo dentro do todo complexo. O povo, em vez de ficar clamando pelo Ministério Público como quem chama o Superman ou o Batman, precisa é recuperar os sindicatos e fazer de suas associações de moradores e outras organizações algo independente e forte. Sem autonomia, nada feito! Só com nossas organizações mais atuantes é que teremos mais pressão sobre os poderes, inclusive sobre o Ministério Público, que é um órgão à parte (clique aqui e conheça um pouco mais a partir do MPF).

 

Já o controle social mais especificamente se dá a partir de organizações próprias: ocorre via conselhos, que são instrumentos adequados a tal tarefa. Todo município tem os seus. A nossa luta deve ser no sentido de criarmos uma movimentação política séria e conseqüente para tornarmos esses conselhos forças positivas em nome da sociedade, livrando-os do caminho inapropriado a que muitos seguem de servir aos gostos e caprichos dos gestores, dizendo amém para o que ocorre, não importando se certo ou errado. Quantos conselhos em nosso município têm realmente uma ação independente em relação aos poderes? É nossa responsabilidade mudar isso, sem a interferência de aproveitadores travestidos de colaboradores da causa.

 

A melhoria da participação política de todos nós diante dos poderes (governos, na verdade) vai se dar mediante a melhoria do nível de informação, de compreensão e de ação. Nisso entra a objetividade e a união que precisamos ter. Se até hoje a maioria dos nossos conselhos é composta de “forças domadas”, então estamos falhando. Não culpemos, pois, os gestores ou os vereadores. Contudo, um dado específico precisa ser notado: é muito provável que a forma como esses conselhos estejam estruturados favoreça à sua cooptação pelo gestor em questão, ou seja, não há muito como não cair nas garras de quem manda. Se um dos problemas principais for a estrutura de tais conselhos, então é mais complicado.

 

Seja como for, é nossa tarefa conhecer o funcionamento de tais conselhos. Até hoje, a cultura do segredo em muitos negócios governamentais (negócios públicos) é mais constante que a cultura do acesso. Em nível federal, o governo avançou (clique aqui e aqui, por favor!). Em nível municipal, os feudos continuam. E com o legislativo apeado no executivo é como se fossem os dois um só poder (e não muito a nosso favor).

WEBSTON MOURA

WEBSTON MOURA

Webston Moura é um livre-pensador com os pés na democracia e os olhos no cotidiano.Poeta e idealista, expõe seus pensamentos nos blogs O Araibu e Arcanos Grávidos.
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