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Por uma abordagem complexa da violência

Postado em 05/05/2012
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A partir do final dos anos 1990 a violência urbana cresceu sobremaneira, atingindo lugares antes calmos, verdadeiros paraísos de tranqüilidade, até de marasmo e tédio como esses nossos interiores. Assaltos de todo tipo, homicídios freqüentes e outras manifestações tornaram-se corriqueiras. O antigo medo diante das forças policiais, observado em épocas anteriores, desapareceu da mente de muitos indivíduos, que não se intimidam e partem pra cima, criando as mais inusitadas situações para perpetrarem seus intentos. E a televisão está recheada de programas sobre essa temática, mas parece educar muito pouco, pois trata o assunto de maneira repetitiva e enfadonha.

 

E nós, o que fazemos? Dia a dia observamos, sofremos e concluímos idéias superficiais e rápidas. Todos nós engolimos e internalizamos o discurso politiqueiro dos apresentadores dos programas policiais e esquecemos que, estando a violência no nível em que está, faz-se necessária uma abordagem mais complexa do assunto. Hoje, o complexo conjunto das ações a que chamamos de violência é algo que foge a uma compreensão rasa e reducionista.

 

Não basta acreditarmos que apenas policiando mais as ruas, os bairros, a cidade, tudo se resolve. A chamada bandidagem cria e recria estratégias, pois o fundamental é que existe uma cultura do crime e em larga expansão. Desse modo, apesar de todos os reveses, prisões, humilhações, aborrecimentos e mortes, para muitos indivíduos o crime compensa! A cultura do crime em expansão, do crime como estilo de vida transgride leis e normas morais, torna-se um quê a mais na psicologia de muitos indivíduos, todos frutos de um tempo (de um sistema) que investe mais na valorização de coisas que de pessoas, de vidas, de paz. E, repito, isso é complexo.

 

Para um município como Russas, para o próximo gestor que iniciar seu mandato a partir de janeiro de 2013 fica clara a tarefa de fazer o executivo local participar mais ativa e interessantemente dessa problemática, promovendo estudos sobre o assunto, estudos que envolvam diferentes olhares. A violência que hoje nos corrói carece de tratamento pesado, mas pesado no sentido de mentes arrojadas e reunidas na busca de melhor compreensão do assunto para que os poderes possam investir em soluções mais realistas.

 

Sendo o fenômeno social e histórico, quais seus condicionantes? Eis uma base por onde se pensar. Onde estão as raízes da violência atual e como isso começou da forma em que se encontra?

 

O nosso próximo prefeito precisará reunir todo tipo de competências, pessoas de diferentes conhecimentos, de diferentes áreas, além da área de segurança, para que, juntos, iniciem uma nova abordagem. Se o fenômeno é complexo, a abordagem há de o ser também. Se o rompimento para com códigos de conduta antes valorizados é tão forte, precisamos saber o que se passa nos psicológico da coletividade. Não basta olhar para a periferia e escolher os rostos e sobrenomes que dão fama à violência porque isso já foi feito a vida inteira. A sociedade como um todo é causa e conseqüência (vítima).

 

Nosso próximo prefeito precisará criar um “departamento” específico que junte parte de cada secretaria e os segmentos sociais todos numa permanente discussão a aprimoramento nas formas de se lidar com a violência. Quanto mais se investir em conhecimento, mais se conhecerá o fato, obviamente. E certamente há especialistas de outros lugares, profissionais qualificados na implantação de programas antiviolência, programas de paz. Invista-se na criança e no jovem de modo diferente e o resultado já será outro. Mas diferente como? É isso que precisamos descobrir melhor. A existência de todo tipo de combate até agora tem perdido parte dessa luta. Sejamos humildes e aceitemos uma idéia: nossas abordagens precisam ser mais agudas, mais profundas, mais sábias. O criminoso é um ser humano como todos nós, mas um ser humano que rompeu um limite que nós outros não rompemos. Como se dá isso?

 

Tenho perguntas e não respostas porque estou evitando a arrogância de ousar saber o que deve ser feito, pois as melhores respostas a esse desafio não serão milagres gerados por indivíduos mágicos, mas idéias discutidas democrática e agudamente por cidadãos de carne e osso, cada um contribuindo com sua parte. E não se diga que é falta de Deus, pois eu nuca vi tanta igreja. Deixemos uma nova racionalidade nos contagiar de uma cidadania lúcida e tranqüila, apesar dos pesares.

 

Seja quem for nosso próximo prefeito, esse é um dos desafios que ele terá de enfrentar. E nós devemos lhe cobrar isso. Não se trata de imbuí-lo de uma tarefa de super polícia, mas de uma tarefa de um grande articulador de potenciais para a busca de soluções realistas e duradouras.

 

Para finalizar, deixo dois PDFs afins: Paz - Como se Faz? e Juventude, Violência e Vulnerabilidade Social na América Latina.

WEBSTON MOURA

WEBSTON MOURA

Webston Moura é um livre-pensador com os pés na democracia e os olhos no cotidiano.Poeta e idealista, expõe seus pensamentos nos blogs O Araibu e Arcanos Grávidos.
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