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Mãe não é uma abstração do mês de maio

Postado em 16/05/2012
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Creio ser muito certo pensar que senão a melhor, mas uma das melhores fases das nossas vidas é a infância. E há um ponto especial nisso: a extrema presença das nossas mães exatamente num momento em que nossa alma ainda não está maculada pela falsidade do mundo. Nisso, tenho muita pena da criança que, sem mãe ou sem um alguém lhes faça as vezes, passa sua infância no vazio, ou pior: no sofrimento mesmo, pois há muitas crianças debaixo de muitas opressões.

 

Como homem, estou condenado a ser apenas observador do ato de ser mãe, pois eu mesmo nunca serei. Por mais que eu busque alcançar o sentido, tudo o que conseguirei será falar dos efeitos que um filho, como eu, pode sentir a analisar em si mesmo. E não há coisa igual. Ninguém, por mais preparo e dedicação, substitui nossas mães.

 

Para além das intenções do comércio em lucrar com as datas comemorativas, o Dia das Mães é a lembrança de algo especial dentro de algo mais complexo que e a mulher. O próprio planeta Terra tem nome fêmeo, indicando a idéia do que gesta e mantém, exigindo, por isso mesmo, respeito e cuidado.

 

Mas, a bem da verdade, para um acerto melhor da nossa sociedade, bem poderia haver um dia das mães por mês, como este de maio. Seria justo e ainda seria pouco. Observe-se também as mães que muitas vezes são impedidas de o serem com maior amplitude, pois o mercado de trabalho ― a sanha capitalista ― lhes exige o máximo de presença e de esforço. Para o capital elas são braços como outros quaisquer.

 

As igrejas cristãs, que por sua vez fazem tanto barulho por outras coisas, não muito freqüentemente localizam sócio-economicamente a mulher-mãe, o que é uma falha. Mãe não é uma abstração da qual se depreende uma visão que emocione tolamente a nossa alma em cada maio. Melhor será enxergar antes a mulher e nela a possibilidade da mãe e tudo em seu contexto social, pois somos ainda uma sociedade de ricos e pobres.

 

Para concluir, duas perguntas para todos nós que valorizamos tanto nossas mães: só os seres humanos têm mãe? Que é feito das mães dos outros seres?

 

Sugestão de leitura: "Mãe, modelos múltiplos"

WEBSTON MOURA

WEBSTON MOURA

Webston Moura é um livre-pensador com os pés na democracia e os olhos no cotidiano.Poeta e idealista, expõe seus pensamentos nos blogs O Araibu e Arcanos Grávidos.
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